Programa de Gerenciamento
de Propriedades Leiteiras
O Programa Gerenciamento de Propriedades Leiteiras é parceria FAERJ/SEBRAE-RJ/SENAR-RIO e faz parte do Programa Balde Cheio.
OBJETIVOS
OBJETIVO GERAL
Capacitar os técnicos no processo de transferência de tecnologia para produção intensiva de leite.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- - Promover o desenvolvimento sustentável da atividade leiteira, permitindo a permanência do produtor e de sua família no meio rural com dignidade e qualidade de vida.
- - Utilizar a propriedade / unidade demonstrativa como “sala de aula prática” sendo referência para visitas de outros produtores e técnicos.
- Reduzir o êxodo rural e, até mesmo, promover condições para o retorno ao campo de familiares que foram para núcleos urbanos em busca da sobrevivência.
- - Recuperar a auto-estima do produtor de leite e a confiança no futuro, independentemente de sua situação.
- Cumprir a legislação ambiental vigente.
- - Obter um diagnóstico da situação encontrada na propriedade (UD), no início do trabalho, por meio de um questionário individual aplicado pelo técnico.
- Implantar um sistema de gerenciamento nas propriedades participantes.
- - Aumentar a lotação animal por hectare da propriedade, a produtividade da terra (litros de leite/ha/ano) e a renda líquida do produtor.
- Avaliar continuamente os impactos sociais, econômicos e ambientais do trabalho feito na UD, por meio da comparação com a situação inicial.
- - Disponibilizar à sociedade todas as informações referentes às UDs.
- Utilizar práticas conservacionistas, tais como terraços em nível, plantio direto e cobertura do solo com palhada, e isolamento de áreas de proteção permanente (matas ciliares e nascentes), de acordo com a legislação ambiental, evitando o processo de erosão.
METODOLOGIA
A transferência de tecnologia é feita utilizando uma pequena propriedade leiteira de cunho familiar como “sala de aula prática”, onde várias técnicas desenvolvidas pela Embrapa e por outras instituições são sugeridas, discutidas por todos os envolvidos (instrutores credenciados pelo Programa da Embrapa, técnicos e produtores), adequadas à realidade de cada propriedade e, por fim, implementadas. Busca-se, desta maneira, conduzir o trabalho com foco no sistema de produção como um todo.
O ingresso da propriedade selecionada pelo técnico no município para ser sua “sala de aula prática” somente acontece quando ambos, produtor e técnico, estiverem de acordo com a natureza participativa do trabalho e de seus direitos e deveres para com o mesmo. Essa propriedade passa a ser denominada “Unidade de Demonstração” (UD). Além dos objetivos de ser utilizada como “sala de aula prática” e gerar renda para a família do proprietário, a UD também servirá como exemplo para os produtores do município e da região, que porventura queiram visitá-la ou acompanhar o desenvolvimento da mesma.
Para que seja construído um elo forte de ligação entre o técnico e a família do produtor, e destes com o instrutor, as ações mais importantes no início do trabalho são as visitas a outras UDs. Lá, ambos poderão constatar a veracidade das informações passadas, as dificuldades encontradas pelos produtores e técnicos da extensão rural no começo da jornada, os problemas enfrentados, as soluções adotadas e os resultados obtidos, em propriedades que tenham perfis semelhantes às propriedades dos que as visitam. Essa atividade fortalece a confiança no trabalho e reacende a vontade de querer executá-lo.
Dentre os compromissos firmados, o técnico deverá visitar a UD na freqüência mínima de uma vez ao mês, para o acompanhamento das atividades combinadas entre todos os envolvidos e auxílio na coleta de dados a ser efetuada pela família do produtor. O instrutor da Embrapa, ou o instrutor credenciado pelo Programa Balde Cheio/Gerenciamento Propriedades Leiteiras, terá a obrigação de retornar quadrimestralmente àquela UD por um período de quatro anos, que é a duração do trabalho.
Ao longo desse período o técnico começa a sentir segurança na aplicação das técnicas e inicia a aplicação das mesmas em outras propriedades do município e da região. Passa a distinguir onde as técnicas devem ser aplicadas, onde elas podem ser aplicadas, onde elas precisam sofrer adaptações para serem aplicadas em razão da situação particular de cada propriedade, e onde elas não devem ser aplicadas. É um processo contínuo e dinâmico de aprendizagem, não se encerrando após o quarto ano do projeto, pois, o vínculo de trabalho e de amizade gerado entre todos os envolvidos é a ferramenta mais poderosa para enfrentar dificuldades futuras.
Dentre as técnicas utilizadas no Projeto Gerenciamento de Propriedades Leiteiras podem ser agrupadas e citadas as seguintes:
Agropecuárias: método de pastejo rotacionado de gramíneas forrageiras tropicais com divisão em piquetes de tamanho reduzido; correção de acidez do solo e adubação intensiva de pastagens com calcário, fertilizantes e adubos orgânicos; irrigação de pastagens; plantio direto de pastagens; produção de mudas de capim-tifton em bandejas; entrada dos animais nos piquetes no final da tarde/início da noite; sobressemeadura de aveia e azevém em pastagens tropicais durante o período de menor crescimento destas (outono-inverno); suplementação alimentar volumosa com cana-de-açúcar corrigida com a adição de uréia; implantação de áreas de sombra natural (renques de árvores); adequação de corredores para movimentação dos animais; cocho trenó; bebedouro-carrapato; uso de cerca elétrica com postes de “madeira plástica” (material reciclado); alteração no horário da ordenha da tarde; mudança na forma de condução dos animais; manejo da reprodução; implantação de um calendário sanitário; introdução de ordenha mecanizada; construção de salas de ordenha de baixo custo; instalação de fosso na sala de ordenha (conforto do operador); manejo de ordenha e práticas para obtenção de qualidade no leite produzido, dentre outras.
- Gerenciais: uso de planilhas para coleta de informações básicas sobre o rebanho (parições, coberturas, pesagem mensal do leite de cada vaca em lactação, pesagem mensal de fêmeas em crescimento, com fita de pesagem), monitoramento de eventos climáticos (chuva, e temperaturas máximas e mínimas); ficha de controle individual de cada animal do rebanho; quadros dinâmicos circulares de controles da reprodução de vacas e do crescimento de fêmeas jovens (bezerras e novilhas); acompanhamento e avaliação econômica da atividade (despesas e receitas) e planilhas eletrônicas de avaliação econômica e zootécnica da propriedade.
- Ambientais: recuperação e conservação da fertilidade do solo; uso de cobertura morta (“mulch”) como fator de proteção do solo, para redução da desagregação devido ao impacto da gota de chuva sobre o solo; plantio de matas ciliares; preservação de áreas de proteção permanente; redução de efluentes e melhoria da qualidade da água; recomendação de realização de outorga para uso de água na propriedade, dentre outras.
- Com o início do Programa no Rio de Janeiro, a partir de 2004, esse problema da transferência de tecnologia começou a ser resolvido nas propriedades participantes. Os produtores passaram a ter acesso e a adotar técnicas que lhes permitiram recuperar a auto-estima e a dignidade, e a cultivar a esperança e a confiança no futuro. Por menor que fosse a propriedade e o rebanho (que em alguns casos, nem existia), por mais problemático que fosse o relevo e por mais difícil que fosse a situação financeira, mesmo assim essas famílias tinham o direito de sonhar, e o que era mais importante, de realizar esses sonhos. Não existe um pacote de tecnológico a ser aplicado em todas as propriedades, e sim, uma discussão ampla entre todos os envolvidos sobre quais devem ser as tecnologias mais apropriadas a implementar em cada situação.
ONDE SE ENCONTRA?
Atualmente são 57 técnicos em processo de capacitação
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